A importância que a alimentação humana é dada, em todas as culturas do mundo antigo e moderno, não poderia ficar fora da historia da humanidade. Durante séculos somente as guerras e feitos heroicos foram descritos nos livros, sendo que, grande parte das guerras ou revoluções foram motivadas pela fome ou pela cobiça que a abundância de alguns povos provocou.

No desenvolvimento da humanidade eram apenas citados, e quase nunca levados em conta, os reinados que caíram por conta da alimentação e domínio de terras para plantio de grãos.

Há poucas décadas atrás, a alimentação não era parte integrante da história da humanidade. Mas, por volta do ano 1960, as ciências humanas despertaram para a “Gastronomia” por não poder dissociá-la da geografia, agronomia, nutrição e antropologia.

“Dize-me o que comes e te direi quem és’

SAVARIN Brillat. A fisiologia do gosto: Cia das letras, 1995.p.15.

Arqueólogos, antropólogos, historiadores, estão reescrevendo a historia, adicionando fatos que anteriormente não eram considerados importantes.

Foram nos anos 70, 80,90 que os historiadores deram atenção  às praticas culinárias e técnicas, a toda  influência religiosa  e alimentar desde à pré-história  até a Idade Moderna.

Identificamos uma cultura, estilo de vida, religião, acontecimentos e até uma época através de alimentos e técnicas de cocção, produção, ingredientes e hábitos à mesa.

Através dos tempos, cada povo adaptou-se a uma região, através dos alimentos que a terra produzia ou plantas nativas. Muitos povos na historia da civilização eram nômades, até encontrar uma região onde as necessidades alimentares e nutricionais fossem satisfeitas.

Os historiadores e antropólogos deram então atenção ao significado simbólico de muitos alimentos, o pão que sempre foi alimento sagrado para vários povos, como também as proibições dietéticas e religiosas de inúmeros povos, um exemplo é a carne suína, impura para os muçulmanos e judeus, ou a carne da vaca que é um animal sagrado para indianos.

Comportamentos à mesa, mitos e muitos outros costumes que voltarei a comentar oportunamente, quando escreverei sobre cada cultura em particular.

No Brasil, a história da alimentação está apenas começando. Ainda existem poucos escritores e trabalhos sobre esse assunto, mas a partir da década de 70, graças a alguns chefs , historiadores e antropólogos apaixonados por nossa cultura, vamos caminhando mais rapidamente para termos registros da formação de nossa cultura através dos alimentos. Movimentos de preservação de produtos, cultura (ONGs),contribuem muito para isso.

Todas as culturas do mundo desde sempre, seja por motivos religiosos, regionais, sociais ou étnicos ditam o que se deve ou não comer, pois além de satisfazer as necessidades básicas de sobrevivência, vão indicar a religião, cultura, classe social e até acontecimentos de uma época.

Quando qualquer pessoa sai para comer fora de casa ou convida pessoas para qualquer tipo de comemoração em suas casas, seja com amigos, família ou outro motivo, entende que a alimentação não esta ligada simplesmente a fatores nutricionais, mas que ao compartilharmos uma refeição, ficamos mais íntimos, estreitamos laços sociais e afetivos, mas o mais importante disso é que alimentamos o nosso espírito.

Até a próxima!

Este artigo foi escrito por Fátima Del Nero, colunista do Portal FoodJobs. A Chef Fátima é hoje uma grande pesquisadora e incentivadora da gastronomia clássica brasileira e contemporânea, além de ser Chef e Colaboradora da Accademia Gastronomica, que espelha sua experiência na Scuola della Cucina Italiana de Milão, conceituada escola de culinária.

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