Se tornar um chef de cozinha tem sido uma das profissões mais procuradas do país, uma área de trabalho que, para muitas pessoas, é vista como puro glamour. Porém, se engana quem pensa que o “mundo” da gastronomia é somente apreciar os melhores sabores. Para o cozinheiro e vice-campeão do MasterChef Brasil, Raul Lemos, manter-se na área e batalhar pelo sonho de ter seu próprio negócio não tem sido fácil.

Conquistar um lugar à frente de uma cozinha profissional é díficil, e isso se torna ainda mais complicado quando surge o desejo de se tonar proprietário de um estabelecimento. Entendemos que, com tantos programas de reality shows gastronômicos, ao total são 112, os olhos de muitos brilham almejando fazer da arte de cozinhar uma profissão. Mas, como nem tudo são flores, ou melhor, doces, é preciso ser determinado para tornar o sonho uma realidade.

“Tem gente que quer abrir o seu próprio negócio porque vê a gente na TV e fala ‘é muito fácil virar um cozinheiro’. Não, não é cara. E outra, eu só estou ‘surfando a onda’ agora porque eu realmente fui bem – gosto de pensar que fui muito bem – num programa de reality show. Mas se não tivesse acontecido isso, a minha transição para a cozinha teria sido muito complicada, iria ser muito sofrida”, disse Raul.

Claro que fazer o que gosta é o melhor caminho para o sucesso profissional, e assim como qualquer outra profissão, com altos e baixos, é preciso se esforçar para se destacar no mercado de trabalho.

“Depois que eu saí do MasterChef não recebi nenhuma proposta de trabalho para ser funcionário em um restaurante. Por outro lado, eu com alguns amigos que também participaram do programa, fomos empreender. Cada um deu 150 reais, compramos os fogões, as panelas, juntamos a barraca e começamos a bater nos eventos gastronômicos perguntando se poderíamos participar. Então, começamos a ter uma receptividade muito grande. Terminei um evento e tínhamos vendido tudo, foi um negócio absurdo com fila e a galera desesperada. Começamos a participar cada vez mais de eventos gastronômicos, e nessa que você vai tendo que participar e cozinhar, vai melhorando como cozinheiro porque começamos fazendo 100 porções de comida e quase ‘morremos’. Hoje, em 15 horas, fazemos 2 mil porções de comida – é um negócio muito louco”, contou o cozinheiro.

O cuidado que se deve tomar é que, a figura do chef alcançou tanta notoriedade que descolou da principal função da profissão: cozinhar. Chefs estrelados conquistam mais fãs com aparições na mídia do que com seus pratos. Para o ex-participante do reality show, além dos estudos, é a experiência real que vai transformar a pessoa em um cozinheiro de verdade: “Nunca gostei e nunca vou permitir que me chamem de chef até que eu me forme e monte uma cozinha. Mesmo quando eu me formar – porque vou fazer um curso fora do país – não vou falar que sou chef de cozinha até eu ter uma cozinha e ouvir as pessoas falando: ‘Vou ali, no restaurante do Raul’. O chef não é só um bom cozinheiro, mas é também o cara que sabe tudo da cozinha. É um gestor, o RH, é o gerente, o porta-voz. Então, para você ser um chef de cozinha, você tem que ser um cara muito bom”, afirmou.

A escolha pela gastronomia

E quem já não teve a sensação ou conhece alguém que acredita estar na profissão errada? É muito comum que, após a formação no curso de graduação e trabalhar na área, de fato, descobrir que, realmente não era aquilo que a pessoa queria para o seu futuro profissional – e com o Raul não foi diferente.

Antes de se tornar um cozinheiro, Raul decidiu sair de Santos para morar na capital de São Paulo. Após se formar em Marketing, passou os últimos 16 anos trabalhando em agências de comunicação. Em 2014, resolveu mudar de rumo após quase surtar com a rotina publicitária, e então correr atrás do seu verdadeiro sonho, antes tratado apenas como um hobby: se tornar um chef de cozinha.

“Comecei a cozinhar quando decidi morar sozinho. Gostava de comer comida temperada, pois minha avó tinha uma mão muito pesada para tempero. Então, quando eu comia, pensava que estava faltando alguma coisa e quando eu estava preparando um prato, tentava trazer uma referência de algo que já havia comido e que tinha gostado”.

Quando perguntamos como surgia as ideias para preparar os pratos apresentados aos jurados do Masterchef, Raul disse que também não entendia como isso acontecia: “97% das coisas que eu fiz no programa eu nunca tinha cozinhado na minha vida. Eu chegava em casa e quando fazia uma prova que havia me saído bem eu desacreditava. Gosto de acreditar que eu tenho um dom porque eu aprendi tudo muito rápido e fiquei surpreso com a minha curva de aprendizado. Presto muita atenção em tudo, pra mim, uma coisa está sempre ligada a outra”.

Fonte: Redação FoodJobs

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Fonte: FoodJobs

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