É inevitável pensar em cerveja e chocolate quando se fala da Bélgica. Os dois produtos são os carros-chefe do país que faz fronteira com a Alemanha, a França e a Holanda. Mas, como se fala em um popular comercial de televisão: “E não é só isso!” A cozinha belga tem algumas surpresas, como os super cremosos croquetes de queijo e os de camarões cinza, capturados no Mar do Norte e que aparecem em outras receitas locais, como os tomates recheados com camarões e maionese. Pratos como o waterzooi (cozido de frango ou peixe com legumes, creme de leite e ovos) e a carbonade flamande (uma espécie de boeuf bourguignon, mas preparado com cerveja) são algumas amostras de uma cozinha reconfortante e saborosa.

Outra especialidade belga difícil de ser ignorada são as batatas fritas. Livros de receitas do século 18 indicam que a receita já era preparada por lá desde 1680 e essa tradição se traduz nas friteries, lugares especializados em servir as batatinhas, sempre acompanhadas por algum molho – os mais populares são maionese e ketchup. As famosas fritas também são o par perfeito para os mexilhões cozidos em molho de vinho branco, manteiga e ervas, o moules et frites: você come os mexilhões e as batatas são mergulhadas no caldo em que os frutos do mar foram preparados. Descubra a seguir alguns lugares imperdíveis para conhecer por lá, entre bares, cervejarias, lojas de chocolate e restaurantes. E, na página 65, você aprende a fazer duas receitas belgas: o moules et frites e a bochecha de boi cozida em cerveja com cerejas.

Beba bem

A Bélgica tem mais de 300 cervejarias e é possível programar uma viagem inteira só para conhecer as fábricas. Conheça alguns destaques

Cantillon
A mais antiga cervejaria em funcionamento da capital belga, fundada em 1900 (foto acima). Produz geladas de fermentação espontânea, do estilo Lambic. Segundo Berto Carduus, responsável pelas visitas à fábrica, que fica fora do centro turístico bruxelense, é no telhado que residem os mais de cem micro-organismos que conferem os sabores únicos – ácidos e amargos – dessa cerveja. Lá é possível provar rótulos especiais, como a Grand Cru Bruocsella, envelhecida por três anos em barril de carvalho, e comprar souvenires. cantillon.be

Brussels Beer Project

Instalada em um antigo bairro industrial de Bruxelas, o projeto é tocado por Sébastien Morvan e seus colegas, que produzem geladas de estilos mais modernos, como uma IPA mais lupulada e outras não tão populares entre os belgas. beerproject.be/en

De Halve Maan
No centro histórico de Bruges, fica essa espaçosa cervejaria, que oferece tours de 45 minutos a suas instalações e também abriga um pub e um restaurante. Ali são servidas as geladas Brugse Zot Blond e Dubbel e as Straffe Hendrik Tripel e Quadruple, bastante conhecidas na Bélgica. Mas vale a pena mesmo provar a Straffe Hendrik Wild, uma versão da Tripel que é refermentada com a levedura Brettanomyces e é engarrafada apenas uma vez por ano. halvemaan.be

Mundo doce
Espere encontrar também várias lojas de chocolate espalhadas pelas cidades belgas. As duas a seguir são para aqueles que amam o doce feito com cacau – e estão dispostos a pagar um pouco mais por eles

Leonidas
Com lojas espalhadas por várias cidades belgas, tem preços mais em conta e pode ser considerada uma chocolateria “popular”. Não que isso seja um problema, são deliciosos. Os bombons Manon Café, com chocolate branco creme de café e avelã estão entre os mais pedidos pelos belgas.leonidas.com

Mary
Fundada por Mary Delluc em 1919 na Rue Royale, centro de Bruxelas, produz uma extensa (e cara) linha de chocolates feitos à mão. A qualidade das criações da marca foi reconhecida em 1942, quando a Mary (foto abaixo) foi escolhida como fornecedora oficial de chocolates ao rei da Bélgica, título que mantém até hoje. mary.be

Bares e restaurantes para visitar

Nesses lugares é possível ter uma amostra das especialidades gastronômicas e cervejeiras do país

In De Vrede
Ir à Bélgica para tomar as cervejas Westvleteren 8 e 12, apontadas entre as melhores do mundo por vários guias e sites especializados, é praticamente uma peregrinação cervejeira. Elas são produzidas e vendidas na abadia de Sint Sixtus, que é fechada para visitantes, e comprar as garrafinhas diretamente dos monges (elas chegam a ser vendidas por até R$ 200, cada, no Brasil) é bastante complicado para turistas. O café In De Vrede, bem em frente, na cidade de Westvlteren, é uma opção mais viável: além do espaço interno há um confortável jardim onde é possível saborear todas as variedades da gelada. Além de lembranças para os cervejeiros, a loja do café costuma vender as concorridas garrafinhas, mas é comum o produto estar em falta até mesmo por lá. indevrede.be

Aux Armes de Bruxelles
Aberto em 1921, é um dos restaurantes mais tradicionais da capital da Bélgica. Próximo à Grand Place, a principal praça de Bruxelas, tem um salão refinado com vistosos candelabros e serve clássicos da cozinha local, como moulles et frites (mexilhões com fritas), os croquetes de camarão e queijo ou as enguias em molho verde. auxarmesdebruxelles.com

Moeder Lambic
Para quem gosta das fermentadas espontâneas do estilo Lambic, há duas unidades desse bar, uma no centro e outra no bairro de Saint Gilles, em Bruxelas. O dono, Jean Hummler, é um entusiasta das cervejas azedas e aposta em raridades que podem custar tanto quanto um bom vinho, como 3 Fonteinen Armand 4’ Winter, que custa 100 euros a garrafa. moederlambic.com

Les Brigittines
Espere encontrar várias receitas de acento francês no restaurante comandado pelo chef Dirk Myny, na capital belga. O destaque, porém, são as receitas preparadas com cervejas, como o ballotine de foie gras de pato cozido em Zinnebir (do estilo Belgian Pale Ale) ou a bochecha de vitela braseada por 4 horas em cerveja Kriek, que leva cerejas azedas. lesbrigittines.com

Fonte: Revista Menu

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