Quando se trata de dar nome a criações culinárias, vale tudo: desde homenagear parentes ou personalidades até sair-se com algo poético ou engraçado. É impossível, por exemplo, não ficar impressionado com iguarias como o Dedo Aberto, doce de origem árabe.

Alguns nomes, porém, têm história bem mais complexa do que se imagina. Um pão delicioso como o croissant tem sua origem em uma guerra em que padeiros impediram uma invasão de território. Já a Margarita, drinque que todo fã de tequila aprova, pode (ou não) ser uma homenagem de um barman a uma dançarina alérgica. Confira abaixo algumas explicações para o batismo de pratos que todo mundo gosta.

Bife a Cavalo

O prato é tentador: um belo filé com um ovo frito sobre a carne. O nome engraçado é por conta do formato do ovo: para os antigos, ele lembrava uma sela de montaria em cima de um cavalo. Há quem diga que o apelido era, também, pela velocidade com o qual o prato poderia ser preparado e servido.

Rolinho Primavera

Eles são encontrados em boa parte do continente asiático, com diversos nomes — o que chegou até os brasileiros, via Japão, é o “harumaki” — ou rolinho primavera (“haru”, em japonês, quer dizer primavera). A denominação é por conta dos ingredientes: a receita era uma forma de utilizar os ingredientes típicos da estação mais fresca do ano, em contraste com os vegetais em conserva consumidos no inverno.

Filé Oswaldo Aranha

O famoso bife alto com alho frito, farofa e batatas portuguesas, muito conhecido da culinária carioca, é uma homenagem ao gaúcho Oswaldo Aranha (1894-1960). A receita era o pedido preferido do diplomata no restaurante Cosmopolita, no Rio de Janeiro, que ficava ao lado do prédio do então Senado Federal.

Margarita

O drinque mexicano à base de tequila é tido como homenagem a uma mulher — o problema é decidir qual. Há quem diga que o coquetel foi criado sob encomenda para a dançarina Marjorie King, que era alérgica a bebidas alcoólicas, com exceção da tequila. Outra história conta que o drinque foi criado por uma socialite norte-americana, Margarita Sames, que tinha uma casa de veraneio em Acapulco e gostava de tequilas.

Bauru

O sanduíche à base de rosbife, tomate, pepino em conserva e mistura de queijos derretidos é uma invenção paulistana. O nome do prato é uma referência ao seu criador, Casimiro Pinto Neto, apelidado de Bauru, sua cidade natal, no interior de São Paulo. Os clientes da lanchonete gostaram tanto da invenção que começaram a pedir “um sanduíche que nem o do Bauru” e o nome acabou pegando.

Croissant

O pão com formato de meia-lua costuma ser associado à França, mas sua criação é atribuída a padeiros austríacos — tanto que, em francês, é chamado de “viennoiserie”, em referência à Viena. Diz a lenda que, durante uma guerra na Áustria, padeiros ouviram os inimigos otomanos cavando um túnel e deram o alarme para impedir o ataque. Em comemoração, criou-se um pão em forma de lua crescente (“croissant” em francês), figura que estampava a bandeira do Império Otomano.

Arroz de Puta

A receita, dizem, é originária das “casas de tolerância” de Goiás: no final do dia, as mulheres que trabalhavam no local preparavam um arroz com todas as sobras da geladeira. O prato se disseminou e ganhou versão mais nobre, o Arroz de Puta Rica, com linguiça, frango, costelinha e legumes.

Ovos Benedict

Uma das histórias conta que um cliente do Waldorf Hotel, em Nova York, surgiu com a receita, que combina ovo pochê, lombo canadense e molho sobre um muffin, para recobrar as forças após uma noite de bebedeira. Outra versão diz que, na década de 1920, também em Nova York, uma senhora de sobrenome Benedict queixou-se da falta de novidades no menu de seu restaurante preferido e o cozinheiro saiu-se com o prato para agradá-la. Desde então, o Delmonico’s mantém a receita no cardápio e diz ser seu verdadeiro inventor.

Bicho de Pé

Nada apetitoso, o nome é dado ao brigadeiro cor-de-rosa preparado com leite condensado e gelatina em pó. Dizem que sua origem se deve ao fato de que antigamente o doce era feito com morangos “in natura” e ficava cheio de pintinhas pretas, o que fazia lembrar o parasita que causa a infecção homônima na pele.

Dedo Aberto

O nome deste doce de origem árabe é bem assustador, mas faz sentido quando você o vê: trata-se de um canudo de massa folhada cortado ao meio para que o recheio apareça. Na mesma linha de raciocínio, a culinária árabe tem os Dedos de Noiva (mais delicados e sem cortes) e os Ninhos, doces com macarrão tipo cabelo de anjo que se assemelham a ninhos de pássaros.

Fonte: Uol

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