A HISTÓRIA

A cerveja artesanal ou industrial é a bebida alcoólica mais consumida no mundo e a terceira bebida mais popular do planeta, logo atrás da água e do chá. Produzida a partir da fermentação de cereais, é uma das bebidas mais antigas que se tem registro.

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Modelo Egípcio de Fabricação de Cerveja – Museu Rosacruz de San Jose, Califórnia, EUA.

Segundo o escritor grego Ateneu de Náucratis, a popularização da cerveja se deu pelo fato de que nem todos poderiam pagar pelo vinho, uma bebida destinada a quem tinha mais prestígio social.

A cerveja só passou a perder popularidade com os romanos. Para se diferenciar dos outros povos da região, os romanos de todas as camadas sociais aderiram ao vinho como bebida alcoólica preferencial, destronando a cerveja. A cerveja, então, passou a ser conhecida como bebida de bárbaros.

Foram os monges medievais que trouxeram a bebida de volta ao gosto popular sendo referenciados até hoje por diversas marcas do ramo cervejeiro.

Já no caso das terras brasileiras, foi com a tripulação de Maurício de Nassau que aportou no Brasil o primeiro mestre cervejeiro. Desceu no Recife em 1637, o holandês Dirck Dicx e logo mais, no ano de 1640 abriu a primeira cervejaria das Américas, a “La Fontaine”.

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O MERCADO

O mercado cervejeiro é um dos mais tradicionais do Brasil e está presente em todas as cidades do país.

A cadeia cervejeira vai do agronegócio ao pequeno varejo, passando pelo mercado de embalagens, logística, maquinário e construção civil abastecendo mais de 1,2 milhão de pontos de venda em todo o território nacional.

De acordo com a CervBrasil, o setor é um dos mais relevantes da economia brasileira. Com mais de 2,2 milhões de pessoas empregadas ao longo da cadeia, é um dos maiores empregadores do país.

E segundo a Fundação Getúlio Vargas, somente no Brasil, o mercado cervejeiro movimenta mais de R$74 bilhões de reais, respondendo por 1,6% do PIB brasileiro e 14% da indústria de transformação.

O modelo de distribuição usual das grandes cervejarias consiste em dois canais: centros próprios de distribuição direta contratos com empresas terceirizadas.

Por meio dos centros próprios de distribuição direta, as companhias atendem a importantes clientes das grandes regiões urbanas. Já as distribuidoras contratadas buscam os produtos diretamente nas fábricas para realizar outras entregas.

O comércio atacadista completa esse elo da cadeia atuando nos pontos de venda que não são atendidos diretamente pelos centros de distribuição ou pelas distribuidoras terceirizadas.

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Fonte: CervBrasil

A MUDANÇA NO CONSUMO

As bebidas produzidas em grandes volumes, destinadas basicamente ao mercado interno, têm como característica uma relativa homogeneidade. No entanto, o crescimento da renda acarreta mudanças de hábitos de consumo, que em parte dos compradores reflete-se em busca por diferenciação via aquisição de produtos mais sofisticados.

Esse processo, que vem ocorrendo no Brasil, leva ao aumento da procura por produtos importados ou de qualidade superior ao encontrado nos tradicionais canais de aquisição.

Em uma indústria caracterizada pela concentração de mercado, as microcervejarias vêm despontando como uma alternativa regional. Estima-se que o Brasil possua cerca de duzentas microcervejarias. A maior parte delas está localizada nas regiões Sul e Sudeste, porém a atividade vem se tornando popular nas demais regiões do país.

Afunilando o cenário das microcervejarias, temos os mestres cervejeiros que atuam com cerveja artesanal em rótulos independentes. Estes são apreciadores da bebida e exercem a produção como um hobby.

Trata-se de um mercado para os insumos da fabricação artesanal, e não da bebida em si. Apesar de ainda incipiente no Brasil, se comparado às experiências vistas nos EUA e na Europa, o comércio de maltes, leveduras e lúpulos especiais é uma atividade que tem apresentado bom ritmo de crescimento.

A ADAPTABILIDADE DOS GRANDES

Como se reinventar num cenário tão dinâmico? É a pergunta que fica no ar. No ramo mais tradicional, as oportunidades se adéquam a diferentes perfis. A Ambev, maior produtora de cerveja no país, oferece possibilidades bem distintas. Pelo “Nosso Bar”, o franqueado pode dar um tapa no visual de seu estabelecimento e receber uma série de acompanhamentos da empresa, em troca da exclusividade sobre os produtos produzidos pela companhia.

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Franquia Nosso Bar, da AMBEV.

Outra possibilidade da AmBev é o Chopp Brahma Express, rede de franquias com sete lojas no Rio e 85 no Brasil dedicada à entrega de barris de chope na casa do cliente. O negócio acabou de ganhar um novo modelo, com ambientação inspirada em botecos dos anos 50 e carta recheada de rótulos internacionais.

BEBENDO CRIATIVIDADE COM CERVEJA ARTESANAL

Correndo por fora, o setor de cerveja artesanal tem chamado a atenção de muita gente.

Nos Estados Unidos, 17% do mercado de cervejarias é ocupado pela cerveja artesanal. No Brasil, que é o terceiro maior mercado do mundo, elas ainda não chegam a 1%.

Apesar dos Estados Unidos serem o centro cervejeiro do mundo, o mercado queridinho do momento é o Reino Unido, uma ilha cercada de água e pubs por todos os lados, por lá o número de cervejarias ultrapassou a marca de 1.700 companhias e obteve um crescimento de 65% nos últimos 5 anos, de acordo com o grupo de investimentos UHY. Inspirados pelos números apresentados pela terra da rainha, fomos em busca do principal expoente desta revolução cervejeira: a BrewDog.

A BrewDog é uma fabricante escocesa de cerveja artesanal que se tornou um dos maiores ícones do mercado cervejeiro global não apenas pelos seus excelentes rótulos, mas também pelas ações diferenciadas no ponto de venda e seu marketing provocativo.

“O nosso produto começou como um hobby, na garagem, hoje temos rótulos entre os melhores do mundo. O consumidor está procurando cada vez mais por nossas cervejas, então temos que estar presentes globalmente e o nosso foco é a distribuição por meio de casas especializadas.”

JAMES WATT – COFUNDADOR DA BREWDOG

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Brewdog investe nos distribuidores especializados.

Segundo Jamess Watt, um dos fundadores da marca – que era pescador de alto mar, o shopper é o mesmo em qualquer lugar do mundo, o que muda é como ele se comporta de acordo com as variáveis do ambiente. “Você não consegue pegar um peixe grande se não atraí-lo para próximo de seu barco, não é questão de fisgá-lo, é de atraí-lo e fazer com que venham em cardume”, completa Watt.

Em 2007, em uma garagem nos arredores de Aberdeen (Escócia), James Watt, Martin Dickie e seu cachorro, símbolo da marca, não criaram apenas uma cervejaria, construíram uma “religião” com adoradores por todas as partes do mundo.

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PDV agressivo junto ao shopper.

Nos cinco últimos anos, a cervejaria se tornou a companhia de bebidas que mais cresce no Reino Unido, quinta maior economia do mundo. Os rótulos são encontrados em incontáveis países pelos quatro cantos do planeta e a marca tem dezenas de bares próprios, espalhados por três continentes.

Uma nova fábrica está sendo construída nos Estados Unidos, para ampliar a presença da marca no maior mercado do mundo, e os sócios comandam um programa de televisão em que rodam o planeta produzindo cerveja artesanal utilizando métodos e ingredientes inusitados.

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